Sistema entregue não é sistema pronto. Dependência desatualiza, regra de negócio muda, integração externa altera o formato de resposta, e o servidor precisa de alguém olhando. A discussão sobre manutenção quase sempre acontece tarde — depois do lançamento, com o sistema já no ar e sem acordo sobre quem faz o quê.
O que deveria estar incluído
- Correção de defeito. Se o sistema não faz o que foi combinado, arrumar é obrigação, não serviço extra. Vale definir prazo de resposta por gravidade.
- Atualização de segurança. Biblioteca com falha conhecida precisa ser atualizada mesmo que nada tenha quebrado. É o item que mais gente esquece de contratar e mais causa problema grave.
- Monitoramento e backup testado. Backup que ninguém nunca restaurou é uma suposição, não uma garantia. Restauração de teste deve ser periódica.
- Ajuste pequeno de conteúdo e parâmetro. Trocar um texto, mudar uma alíquota, incluir um item numa lista. Coisas de minutos que não deveriam virar orçamento.
O que é projeto novo, mesmo com contrato ativo
- Tela nova, relatório novo, integração nova.
- Mudança de regra que altera o modelo de dados.
- Redesenho de fluxo existente.
A linha que usamos é simples: se a mudança exige decidir algo de negócio que ninguém tinha decidido antes, é escopo novo. Se é fazer funcionar o que já foi decidido, é manutenção.
Faixas de preço praticadas
Manutenção mensal costuma ficar entre 10% e 20% do valor do desenvolvimento, ao ano — o que dá, para um sistema de R$ 40.000, algo entre R$ 330 e R$ 660 por mês. Sistemas críticos, com atendimento fora do horário comercial, custam mais.
Cobrar por hora avulsa também funciona, e é honesto para sistemas estáveis. O risco é o incentivo errado: sem contrato, ninguém olha o sistema até algo quebrar — e aí a correção é mais cara.
A pergunta que evita a maior parte do atrito
Antes de assinar, peça para o fornecedor descrever um exemplo concreto de cada lado: um pedido que estaria coberto pela mensalidade e um que geraria orçamento. Se ele não consegue dar os dois exemplos rapidamente, o contrato ainda não está claro para nenhum dos dois.
Regra prática: contrato de manutenção sem monitoramento e sem backup testado não é manutenção, é atendimento sob demanda com nome bonito.
Essa é uma das sete perguntas que vale fazer antes de assinar com qualquer software house. Se o sistema ainda vai ser construído, o assunto entra desde o começo em desenvolvimento de software sob medida.